“São todos iguais…”
Nestes últimos dias de campanha eleitoral, tive oportunidade de experimentar de um modo mais intenso o contacto cara a cara com as pessoas, na rua, enquanto as interpelava a aceitarem uma revista com as principais linhas caracterizadoras do MEP - Movimento Esperança Portugal.
Como se compreende, nesta acção de contacto directo com as pessoas sujeitamo-nos a ouvir de tudo.
Iniciei estas acções disponível para aceitar os exageros, mas posso agora constatar que a maioria das pessoas reagiu à minha abordagem com simpatia, cordialidade e boa-educação, o que demonstra só por si que a pluralidade democrática entre a população é bem aceite e um bem já dado por adquirido e entranhado.
Recebi muitas demonstrações de carinho e simpatia que foram sempre especialmente queridas e incentivadoras enquanto reconhecimento do nosso esforço, galvanizando-nos. Mas, se me permitem, neste momento, gostaria de me concentrar especialmente nas “outras” opiniões.
Atrevo-me a resumir em vários estereótipos os comportamentos menos positivos exibidos pelos meus interlocutores: há pessoas que demonstram total apatia, ignorando-nos por completo, como se não estivéssemos ali, não desviando sequer o olhar do seu caminho; outras exibem um sorriso amarelo de quem murmura entre dentes que o nosso esforço é inconsequente, qual luta desleal entre uma formiga e um elefante; outras há, ainda, que assumidamente se recusam a aceitar a revista, seja por convicção já formada ou filiada noutra formação política, seja mesmo por necessidade de repulsa de tudo o que estiver ligado à política.
Mas as que mais me fascinam são as interpelações mais extrovertidas daqueles que insatisfeitos com o estado do país, não deixam de ripostar, qual gota que transbordou no copo já muito cheio. Permitam-me alguma vulgaridade ao transcrever aqui algumas das frases que deles ouvi, já “muito batidas” mas que ganham uma musicalidade inigualável quando ouvidas das gentes do “Norte” nas quais me incluo:
“São todos iguais [os políticos]…”;
“Eles [os políticos] querem é tacho…”;
“Aldrabões e corruptos [os políticos]…”;
“Depois de se apanharem no poleiro, eles [os políticos] querem lá saber do Zé Povinho”
A espontaneidade e genuinidade (dita) popular, com que ouvimos estes “pregões”, não nos deverão ocultar que os mesmos se alicerçam em enraizados fundamentos e convicções que a sua inteligência emotiva e arguta rapidamente traduz para estes chavões.
Este sentir representa uma percepção da realidade, que é obviamente diferente consoante a posição e localização do observador, mas que na sua essência intui o que é a realidade política nacional e condiciona de modo muito directo a opção do eleitor na hora do voto ou na sua decisão pela abstenção.
Não tenhamos veleidades em reconhecer que a escolha do sentido de voto, numa grande parte da nossa população, se faz de um modo intuitivo, pela captação de imagens, pela idealização e imaginação do futuro e por uma empatia com esta ou aquela pessoa ou com esta ou aquela cor. Raros serão os que conhecem e se dedicam a ler as matrizes ideológicas dos partidos, depois os seus programas e finalmente a terem o pleno conhecimento do currículo e do carácter pessoal dos candidatos que constituem as listas para as quais votamos.
Devemos ter consciência de que é através dessa percepção intuitiva que os destinos do nosso país vão sendo traçados e é escolhido o nosso próximo governo, pelo que nunca deverá ser menorizada ou subalternizada.
Senti-me, por isso, um ouvinte privilegiado e particularmente confortável nesta audição da vox populi, que conduziu, ao longo destas semanas, a deliciosos diálogos vivos e interventivos, cuja compilação estilizada poderia ser qualquer coisa como:
- Bom dia. Aceita uma revista? Somos o Movimento Esperança Portugal e queremos renovar a política…
- São todos iguais…
- Olhe que não… “Estes” posso assegurar-lhe que são novos e pelo menos são diferentes no estilo e nos valores que defendem.
Mas posso-lhe falar de mim. Nunca fui político nem nunca tive nenhum cargo político. Estou aqui porque achei que as cómodas atitudes de agirmos como se nada disto fosse connosco, não podiam continuar. Acha bem que deixemos o país tal como está, para os nossos filhos e para os nossos netos? Eu entendi que tinha chegado a hora de sair do sofá e de tentar fazer alguma coisa para promover essa mudança. Por isso estou aqui…
- Pois é, mas se calhar quando se apanharem no poleiro depressa se esquecerão de nós…
- O MEP foi criado por um grupo de pessoas da sociedade civil, na sua maioria ligadas a causas sociais e que ao longo da sua vida já demonstraram a sua constante preocupação em servir os outros. Foi com esse espírito que fundaram o MEP, baseado num conjunto de valores dos quais podemos destacar a preocupação com as causas sociais, a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento económico sustentável. Duvido que se esqueçam disso tão cedo…
- Vocês agora são novos e pequeninos mas o mais certo é, quando crescerem, ficarem iguais a eles…
- Realmente estamos a iniciar e não sou capaz de adivinhar o futuro, mas posso garantir-lhe que o modo como o MEP foi construído, partindo de pilares essenciais dos valores humanos, com base na gratuidade do serviço de pessoas muito competentes e com a plena consciência do serviço ético aos outros, dificilmente mudará tanto o seu ADN de modo a que passe a servir-se da política em vez de a servir,
- Mas afinal o MEP é de esquerda ou de direita?
- É um movimento cujas bases ideológicas se situam ao centro, ou seja no espaço que normalmente é ocupado pelos partidos que têm tido a responsabilidade da governação em Portugal. É um partido que valoriza os equilíbrios e que refuta as posições extremadas, com um cariz eminentemente social e humanista, mas sem se esquecer de que é com uma boa estratégia de desenvolvimento económico que podemos criar a riqueza suficiente para melhorarmos.
- Até me agradam o vosso estilo e as vossas propostas, mas, sabe, não posso deixar de votar para derrotar o S…
- De certeza que reconhece que a confiança na nossa democracia se tem vindo a degradar ao longo dos últimos anos. Se calhar muita da culpa dessa degradação está nessa nossa atitude de apenas votarmos útil, ou votarmos contra ou sermos do contra ou ainda votarmos por clubismo. Se cada um de nós passar a usar o nosso voto em plena consciência, pela positiva, naqueles projectos políticos em que mais nos revemos, possivelmente estaremos a dar o melhor contributo para que a democracia realmente funcione.
Confesso-lhe que só nestas eleições legislativas, pela primeira vez, vou votar com total conhecimento das propostas, das pessoas envolvidas e, mais importante que tudo, do espírito subjacente a este projecto político que acredito plenamente ser um projecto equilibrado e genuinamente bem construído.
Claro que, no próximo dia 28 de Setembro, irei assistir às tricas inevitáveis entre os "grandes", mas assistirei com a consciência de ter contribuído para uma nova forma de estar na política.
- Mas o que poderá fazer um pequeno grupo parlamentar do MEP contra a força dominante dos restantes grupos parlamentares?
- Poderá fazer diferente. Poderá começar por trabalhar muito e com muito esforço. Para o que contará com a colaboração de muita gente especializada e competente que, mesmo não estando no parlamento, colaborará com esse pequeno grupo parlamentar. Por outro lado, fará, sempre, política pela positiva, defendendo que melhor é possível através de uma atitude construtiva. Por último, irá trazer para a agenda política todas as questões sociais que tão bem domina e que por vezes são mais esquecidas
Poderá ser o primeiro passo de uma longa caminhada de mudança nas atitudes dos nossos representantes parlamentares.
- Muito bem… vou pensar no seu caso…
- Bom dia
Quando terminamos um dia de árduo trabalho nesta acção de contacto directo, estamos fisicamente arrasados, mas animicamente revigorados pelas óptimas experiências vividas durante estes diálogos tão enriquecedores.
Nesse contacto próximo, olhos nos olhos, com tantas pessoas, com tantas diferenças e tantas histórias de vida, acabamos por perceber que, afinal, somos todos muito iguais. No modo como avaliamos a política e os nossos políticos, bem como nos anseios, nas expectativas e nas convicções de uma sociedade melhor, mais equilibrada e justa, para a qual a política deverá contribuir.
Foi para isso que surgiu o MEP. Foi por isso que eu aderi ao MEP.
Afinal não somos assim tão diferentes.
Somos todos muito iguais…
José Carlos Basto Lino
Candidato pelo MEP - Distrito do Porto





